Na região norte do Maranhão, ainda existem remanescentes de floresta amazônica, preservados e defendidos pelos povos indígenas. Na Terra Indígena Caru, grupos comunitários organizados realizam ações de monitoramento, vigilância, recuperação de áreas degradadas, reflorestamento e educação ambiental.
O Coletivo Guerreiras da Floresta é um desses grupos, formado por 41 mulheres do povo indígena Guajajara, que há 11 anos atuam na proteção da floresta do território Caru. Em um momento de total protagonismo indígena, entre os dias 5 e 6 de fevereiro de 2025, as Guerreiras estiveram reunidas para elaborar seu Regimento Interno, um marco para a organização e fortalecimento de suas ações. A construção do regimento foi conduzida pela advogada indígena Kari Guajajara, junto às mulheres do coletivo.

A coordenadora do coletivo, Maísa Caragiu Guajajara, destacou a relevância desse momento para a consolidação do grupo. “Essa oficina veio clarear mais a nossa mente enquanto Guerreiras da Floresta, sobre o nosso importante papel aqui no território, na proteção junto aos guardiões, brigadistas, jovens, anciãos e toda a nossa comunidade. Esse trabalho não é fácil, mas é uma garantia para manter os nossos direitos e a proteção do nosso território. O regimento é essencial para a nossa organização, pois nele estarão nossas diretrizes, nossa forma de trabalho e como estaremos organizadas a partir de agora”, afirmou.

A ação foi contemplada no edital Patak Maymu: Autonomia e participação das mulheres indígenas da Amazônia e do Cerrado na defesa de seus direitos, da Cese, em parceria com a Associação Comunitária Wirazu. O evento também recebeu apoio do Fórum da Amazônia Oriental (Faor), da Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima), da Articulação de Mulheres Indígenas do Maranhão (Amima) e do coletivo de comunicadores indígenas Mídia Caru.
Marcilene Liana Guajajara, coordenadora da Coapima, enfatizou o amadurecimento do coletivo. “Enquanto Coapima, fico feliz em acompanhar o crescimento dos nossos grupos comunitários, que realizam o enfrentamento nos territórios indígenas e lutam para garantir o bem viver das famílias. Ver esse momento emociona, pois, além de coordenadora da Coapima, sou uma Guerreira da Floresta deste território. Este coletivo é um espaço de formação de mulheres fortes, informadas e que ocupam espaços de expressão além do território”, concluiu.

Além da elaboração do documento, o encontro fortaleceu laços, autoestima e identidade das mulheres Guajajara. A advogada indígena e assessora jurídica da Coapima, Kari Guajajara, ressaltou a singularidade deste momento. “Finalizamos agora a construção do Regimento Interno das Guerreiras da Floresta, mais um marco na longa história desse coletivo de mulheres indígenas que vêm, coletivamente, defendendo o território e os povos indígenas. Foi um momento genuinamente indígena, em que uma advogada indígena do povo Guajajara, de um território do Maranhão, do mesmo mosaico de áreas protegidas, o Mosaico do Gurupi, colaborou coletivamente com essas mulheres para a construção de um documento que reflete uma verdadeira perspectiva indígena. As mulheres puderam se expressar em suas línguas maternas e compartilhar suas especificidades sem receio de serem incompreendidas. Elas realizam um grande trabalho em defesa da vida, do território, do clima e do equilíbrio climático. Foi um momento marcante e único, tanto para essas mulheres quanto para mim, enquanto advogada indígena Guajajara”, destacou.



Com o regimento interno estruturado, as Guerreiras da Floresta fortalecem sua atuação e ampliam suas estratégias de proteção territorial. Esse passo representa não apenas um avanço na organização interna, mas também uma reafirmação do compromisso coletivo na defesa da floresta e dos direitos indígenas.









fotos: poliana Guajajara.
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